Sobre os pedais de uma cargueira

Seguindo tradições familiares, Francisco Antônio Marques e Antônio Beserra Maia conquistam clientes sob duas rodas.

“EEEEEEEEEI, OLHA A ÁGUA, OLHA O SALGADO, OLHA O SUCO”, é na base do grito que Francisco Antônio Marques, vendedor ambulante de salgados, chama a atenção das pessoas na praça mais movimentada de Fortaleza, a Praça do Ferreira. Quem passa apressado para ir trabalhar, resolver pendências, fazer compras ou está sentado no banco da praça despretensiosamente, pode até não comprar o produto de Francisco, mas ganha um sorriso no rosto, pela simpatia gratuita do vendedor.

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Os bolinhos e cocadas produzidos por Antônio Beserra Maia

Ele seguiu os passos do pai, que era dono de uma cantina escolar, mas de uma forma um pouco diferente, em uma bicicleta cargueira. Todos os dias “estaciona” em uma sombra na Praça do Ferreira e faz sua propaganda. Em meio a um sorriso e outro, vende em média 50 a 60 salgados e tem um lucro médio de R$ 90,00 por dia.

Ele explica o motivo de seu sucesso: simplesmente trabalha gostando do que faz. “Nasci nesse meio de vender comida, é uma coisa que eu gosto muito, gosto de cozinhar, sei fazer salgado”, diz Francisco. Apesar de saber preparar os salgados, não põe a mão na massa pela falta de tempo. Ele sai de casa cedo para estar na praça antes das sete da manhã.

O ambulante pretende ser um microempreendedor em 2016 e afirma que já tem outra bicicleta e procura alguém de confiança para trabalhar para ele. E tem mais: quer comprar um carro e até mesmo um reboque, para começar a expandir o negócio.

Outro caso de quem utiliza uma cargueira para trabalhar é Antônio Beserra Maia, que todos os sábados sai em sua bicicleta e percorre, em média, 25 quilômetros. O caminho faz parte da rota de entrega da produção caseira de cocadas e bolinhos, uma atividade tradicional de sua família. Receitas que aprendeu com o pai, ainda na década de 1970.

Da compra de matéria prima durante a semana à venda do produto, ele faz tudo em cima da cargueira. Em sua rota de entrega estão mercadinhos de bairro, onde deixa aproximadamente 1.800 cocadas produzidas durante a semana. Segundo ele, o lucro obtido é 50% do valor final.

O ciclista afirma que não há tempo crise para quem trabalha buscando compradores: “Se alguém não quer comprar aqui, eu vou ao mercadinho mais a frente que vai comprar meu produto”.

Antônio e os irmãos produzem os bolinhos e cocadas em um forno industrial novo, que custou aproximadamente R$ 5.000. Ele já está organizando para comprar um veículo para fazer mais entregas e, assim, aumentar o negócio. Também quer ser um microempreendedor individual e, após uma reforma que pretende, com os irmãos, fazer na fábrica. A obra ainda não foi feita pela necessidade de parar a produção para que ela ocorra.

Como se torna um Microempreendedor Individual?

O microempreendedor individual (MEI) é aquele que se legaliza como pequeno empresário, pois trabalha por conta própria. Para se tornar um MEI, a pessoa não pode ter participação em outra empresa como sócio ou titular nem faturar mais R$ 60.000 por ano.

Para que um trabalhador informal se torne um MEI, a Lei Complementar no 128/08 criou condições especiais, como o registro no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), o que possibilita o trabalhador a abrir conta bancária, pedir empréstimos e emitir notas fiscais.

Outra vantagem é que o microempreendedor é enquadrado no Simples Nacional, ficando isento dos tributos federais. Um MEI paga mensalmente uma taxa, que pode ser de R$ 40,40, no caso de comércio ou indústria, R$ 44,40, no caso de prestação de serviços ou R$ 45,40, no caso de comércio ou serviços. O dinheiro é destinado à Previdência Social e o microempreendedor pode ter acesso a benefícios como aposentadoria, auxílio doença, entre outros.

Para se tornar um MEI, veja o passo a passo aqui.

Ana Clara Jovino, Estélio Carvalho.

 

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